O SPDA de prédio antigo concentra a maior parte das não conformidades que encontramos em vistorias em São José dos Campos e no Vale do Paraíba. O sistema foi projetado para outra norma, os materiais envelheceram e ninguém documentou as alterações feitas ao longo dos anos.
Isso costuma virar problema na hora errada: quando o síndico precisa do laudo pra renovar o AVCB, quando a seguradora pede o documento após um sinistro, ou quando um raio expõe uma falha que já existia havia anos. Descobrir naquele momento que o SPDA está desatualizado tira o sono de qualquer gestão.
Neste artigo, você entende quais são os riscos mais comuns em SPDA de edifícios antigos, o que a norma vigente exige e como conduzir a adequação sem virar uma novela pro condomínio.
O que é o SPDA e o que muda em edificações mais antigas
Já explicamos em detalhes o que é o laudo de SPDA, quem pode emitir e qual a validade. Vale a leitura se esse ainda for um ponto em aberto.
Aqui o recorte é outro: o que muda quando o sistema de proteção foi projetado e instalado há muitos anos, sob uma norma diferente da que está em vigor hoje.
Um SPDA antigo carrega decisões de projeto que faziam sentido na época, mas que a norma atual não admite mais. Um exemplo direto: a NBR 5419:2026, em vigor desde março de 2026, eliminou o uso do Arranjo A no aterramento — hoje só o Arranjo B é aceito. Prédios mais antigos frequentemente ainda têm esse arranjo original, sem nunca ter passado por uma reavaliação.
Por que isso importa para o síndico de prédio antigo
Um SPDA desatualizado ou mal conservado não é só uma questão técnica — é um problema jurídico e financeiro do síndico. Sem laudo válido e sem adequação às exigências vigentes, a renovação do AVCB trava. E, em caso de sinistro, a ausência de documentação técnica atualizada pode complicar a análise da seguradora.
Em nossa rotina de vistorias anuais em condomínios de São José dos Campos e do Vale do Paraíba, a maioria das não conformidades aparece justamente em edifícios mais antigos: aterramento sem manutenção, captores e condutores corroídos, emendas soltas, documentação de alterações que nunca foi feita. Essas vistorias recorrentes resultam em laudos com ART, o que sustenta a renovação do AVCB e dá respaldo ao condomínio junto às seguradoras.
O Brasil é o país com maior incidência de raios do mundo, segundo o INPE, e o Vale do Paraíba está numa região de alta exposição. Isso não é motivo pra alarmismo, mas é motivo pra tratar a manutenção do SPDA como rotina, não como pendência.
O que diz a norma sobre adequação de SPDA
NBR 5419:2026
A edição atual da norma substituiu integralmente a versão de 2015. Entre as mudanças mais relevantes pra quem administra um prédio antigo: a recalibração do índice de densidade de descargas atmosféricas (Ng) com dados de satélite, a transição de "Gerenciamento de Risco" para "Análise de Risco", a introdução da Frequência de Danos como critério de avaliação, e a eliminação do Arranjo A no aterramento — hoje só o Arranjo B é reconhecido pela norma. Ela também reforça a exigência de DPS Classe I, II e III em cascata, organizados por zonas de proteção contra raios.
Um SPDA projetado sob a edição de 2015 (ou anterior) pode não atender a esses critérios sem passar por uma reavaliação técnica.
NBR 5410
Regula as instalações elétricas de baixa tensão do edifício. Em prédios antigos, é comum que a rede elétrica interna também precise de adequação junto com o SPDA — os dois sistemas se conversam, principalmente na parte de aterramento e DPS.
Decreto Estadual SP nº 69.118/2024 e IT 01/2025
O Decreto Estadual nº 69.118, de 9 de dezembro de 2024, é o Regulamento de Segurança contra Incêndio vigente em São Paulo — ele revogou o antigo Decreto 63.911/2018. Junto com ele, a IT 01/2025 do Corpo de Bombeiros (CBPMESP) trata dos procedimentos administrativos ligados ao AVCB. É essa combinação de decreto e instrução técnica que define, na prática, o que o Corpo de Bombeiros exige na hora de avaliar a documentação do prédio.
Como funciona a vistoria e a adequação na prática
Levantamento do sistema existente
O primeiro passo é entender o que já está instalado: captores, condutores de descida, aterramento, DPS, e todo o histórico de manutenções e alterações que existir. Em prédio antigo, esse histórico costuma ser incompleto — e faz parte do trabalho reconstruir esse retrato antes de qualquer diagnóstico.
Análise de risco e comparação com a norma vigente
Com o levantamento em mãos, o engenheiro responsável compara o que existe com os critérios da NBR 5419:2026 e conduz a análise de risco da edificação. É nessa etapa que aparecem os pontos que pedem adequação — como o já citado Arranjo A, que hoje está fora da norma.
Em nossa rotina de vistorias no Vale do Paraíba, é comum encontrar exatamente esse tipo de situação em coberturas de prédios mais antigos: sistema funcional, mas desatualizado frente ao que a norma pede hoje.
Plano de adequação e execução
O relatório final classifica as não conformidades encontradas e propõe um plano de adequação. O condomínio decide, junto ao engenheiro, a ordem de execução — normalmente priorizando os pontos de maior risco primeiro. Ao final, o laudo com ART formaliza a adequação e sustenta a renovação do AVCB.
Erros comuns e como verificar conformidade ao contratar
É comum aparecer proposta de "laudo expresso", sem vistoria presencial, ou "pacote de adequação" fechado antes de qualquer levantamento técnico do sistema existente. Prédio antigo tem histórico próprio — não dá pra orçar adequação sem antes levantar o que já existe.
Outro erro frequente: contratar quem não tem atribuição legal pra assinar laudo de SPDA. Já detalhamos quem pode atuar com SPDA segundo o CONFEA — vale conferir antes de fechar qualquer contrato.
Na prática, antes de contratar, confirme três pontos:
- O profissional é engenheiro eletricista com registro ativo no CREA.
- A proposta inclui vistoria presencial e ART.
- O laudo final referencia a norma vigente, não uma edição já substituída.
Perguntas frequentes
Todo prédio antigo precisa refazer o SPDA por causa da NBR 5419:2026?
Não necessariamente. A necessidade de adequação depende de uma análise técnica que compara o sistema existente com os requisitos da norma vigente — não existe uma regra genérica válida pra todos os prédios.
Meu prédio tem laudo de SPDA emitido há alguns anos. Ele perdeu a validade com a nova norma?
Um laudo emitido corretamente continua válido dentro do período para o qual foi assinado. A entrada em vigor da NBR 5419:2026 não invalida retroativamente laudos anteriores — o que ela exige é que a próxima vistoria e qualquer adequação futura sigam os critérios atualizados.
O que costuma reprovar em vistorias de SPDA de prédios antigos?
Aterramento em Arranjo A, captores e condutores corroídos, emendas sem conexão adequada e ausência de documentação técnica das alterações feitas ao longo dos anos.
Quem pode assinar o laudo de adequação do SPDA?
Apenas engenheiro eletricista com registro no CREA e atribuição para SPDA, conforme a Resolução CONFEA nº 218/73.
Fale com quem faz essa vistoria todo dia
Prédio antigo pede olhar técnico, não pacote fechado.
A IC Para-Raios atua com:
- Vistoria e diagnóstico de SPDA em edificações antigas
- Análise de risco conforme NBR 5419:2026
- Projeto e execução de adequação, incluindo aterramento e DPS
- Laudo técnico com ART para renovação de AVCB
Atendemos São José dos Campos, Vale do Paraíba e Litoral Norte de SP.
Conteúdo revisado por Engº Eletr. Ilton S. Coppio, CREA-SP nº 0601520979 — engenheiro eletricista com atribuição plena para SPDA conforme Resolução CONFEA nº 218/73.
Este conteúdo é informativo e não substitui inspeção técnica específica para sua edificação. Para avaliação do seu caso, entre em contato.